Como massagear o rosto (1910)

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massage Uma pele de alabastro, com bochechas rosadas, cabelos longos e cintura fina eram alguns dos atributos indispensáveis para ser considerada uma musa da Belle Époque (1890s-1914). Adicione a isso ser elegante e bem-educada, capaz de entreter os convidados e circular entre festas, jantares e eventos de caridade com desenvoltura e graça – e um leve farfalhar da renda da anágua sob a saia.

Além de tudo isso, a musa da Belle Époque deveria buscar se conservar jovem. A juventude é uma preocupação antiga da humanidade, mas durante esse período as descobertas da Química e a proliferação das fábricas dava asas à indústria cosmética. Com isso, vários manuais de beleza foram publicados, com direito a receitas de massagem, de cremes, de shampoos e até de blush para as elegantes da época.

Hoje vamos com as instruções para realizar uma massagem facial, de acordo com um livro de 1910:

Para massagear o rosto, friccione gentilmente para aumentar a carne e arredondar as bochechas; ou, se houver um queixo duplo ou carne em excesso para ser removida, friccione vigorosamente para livrar-se da gordura por fricção.

Além de afetar o contorno, a massagem diminui as rugas ao manter a superfície [da pele] macia e trabalha para fortalecer as fibras, ao invés de esticá-las. É um fato a ser sempre lembrado que a tendência da carne do rosto é cair com o avanço da idade, então todos os músculos e fibras devem ser massageados para evitar que afrouxem.

Massageando as bochechas (1910)
Massageando as bochechas (1910)

Antes de massagear o rosto, lave-o com água morna não só para remover a poeira, mas para abrir os poros e fazer com que eles estejam prontos para absorver bem o unguento. Então os dedos devem ser mergulhados no creme e o trabalho deve começar pela testa, esfregando levemente com movimentos circulares ascendentes, ou seja, em direção ao couro cabeludo. As bochechas devem ser massageadas também em movimento ascendente, assim como as têmporas, enquanto o queixo deve receber atenção especial:

Massageando o queixo (1910)
Massageando o queixo (1910)

Ao redor dos cantos dos olhos apenas a ponta de um dedo deve ser empregada, tentando com cada movimento suavizar as linhas [de expressão]. Na garganta, o movimento deve ser firme e ascendente em direção às orelhas, de modo a não causar a descida da carne para baixo do queixo.

Massageando o pescoço (1910)
Massageando o pescoço (1910)

Nesses movimentos, em que os dedos devem deslizar sobre a pele sem repuxar, e também para beneficiar o tecido, uma loção ou creme deve ser usado. Qual será utilizada depende da condição do rosto: se é muito gordo, uma loção adstringente; se é muito magro, um creme para estimular o crescimento da carne deve ser empregado.

Para o adstringente: 30ml de goma de benjoim pura , dissolvida em 300ml de puro álcool. É excelente e clareia a pele.

Para crescer a carne no rosto: 15ml de lanolina, 7.5ml de espermacete, 70ml de banha fresca, 60ml de óleo de côco + óleo de amêndoas, 1g de tintura de benjoim e 10 gotas de óleo de néroli. Para misturar os ingredientes, derreta a lanolina, o esparmecete e a banha em banho-maria, sem deixar que esquentem muito. Quando estiverem macios, adicionar os óleos, retirar do fogo e bater rapidamente. Ao esfriar, se tornará um creme

Qualquer um desses cremes deve ser aplicado da mesma maneira. Leva menos de 15 minutos para massagear o rosto e um tempo maior deve ser gasto. Ao fim do tratamento, deve-se aspergir o rosto com água fria, pois ela firma a carne e a pele que se tornaram macias após a fricção.

Fonte: “Health and Beauty Hints”, de Margaret Mixter. Publicado em Nova York, em 1910.

 

OBSERVAÇÃO

As receitas aqui apresentadas são de 1910 – isso é muito anterior aos testes dermatológicos. Não encorajamos ninguém que não tenha conhecimento em cosmetologia a testá-las. Se você fizer isso, estará agindo por sua conta e risco e não temos qualquer responsabilidade sobre isso. Nem adianta depois vir nos ameaçar de processo.

 

 

 

Historiadora, estudante de Museologia, professora de História & Geografia, coordenadora da Sociedade Histórica Destherrense. Vive em Florianópolis, dividida entre gatos, tecidos e livros.

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