Uma Cinderella Vitoriana (1850s)

Olá, caríssimos!

 

No último sábado (03/12), tive a honra e a responsabilidade de representar a Imperatriz Teresa Cristina em uma ação da Sociedade Histórica Destherrense em parceria com o hotel Faial Prime Suites. Junto com o maridão, que mudou até a barba para encarnar D. Pedro II, recepcionamos os convidados na localidade de Santo Antônio de Lisboa e contamos um pouco da relação do lugar com os Imperadores. Claro que uma ação dessas requer um figurino muito mais elaborado e inédito, o que significa que passei quase um mês trabalhando nele.

 

O PONTO DE PARTIDA

Meu projeto inicial incluía tentar reproduzir o traje de gala da Imperatriz que está sob guarda do Museu Imperial, mas a total falta de uma renda que sequer se aproximasse do original tornou a reprodução impossível. Até tingi uma renda guipure em casa (vai ter post sobre isso), mas ainda ficou muito distante do traje original. E a regra de ouro da reconstrução histórica é: se você não tem a peça igual ou muito parecida, não invente coisas para as quais você não tem documentação.  Aí eu fui na loja de tecidos já meio desmotivada e acabei me deparando com um cetim lindo, que mais parecia o tom do vestido da Cinderella da Disney <3

Eu queria algo que representasse as linhas mais características do traje de baile dos anos 1850: as saias de crinolina com tecidos leves, que dão um efeito diáfano na dança; o decote baixo e uma bertha de renda; o corpete pontudo e as mangas bufantes para enfatizar a ilusão da cintura fina. Um problema me separava disso: eu nunca tinha feito um corpete de baile.

Um exemplar do Musée Galliera, de 1858, com todos os traços distintivos da década.
Um exemplar do Musée Galliera, de 1858, com todos os traços distintivos da década.

 

O CORPETE

Os moldes vitorianos são difíceis de serem decifrados e ampliá-los diretamente é problemático: a maioria das publicações da época trazia moldes fora de escala. Suspeito que a ideia desses moldes era apenas servir de guia para costureiras que já tivessem uma noção mínima de modelagem. Acabei juntando uma série de referências (Nora Waugh; Carl Köhler; Janet Arnold) e optei por traçar um molde de blusa moderno e modificá-lo para as linhas da época. Ainda assim, para garantir o caimento correto, fiz um mockup em pano americano/lona leve, experimentei sobre o corset e, com a ajuda do marido, fomos ajustando todas as costuras e pences para que ele ficasse com o caimento correto.

Depois de desmembrar o diagrama, lide com as proporções estranhas de busto e as pences que não encaixam nos nossos corpos modernos!
Depois de desmembrar o diagrama, lide com as proporções estranhas de busto e as pences que não encaixam nos nossos corpos modernos!

Foram 2 dias para acertar o mockup completamente e mais 1 semana para montar o corpete – que foi forrado com a técnica de flatlining, recebeu barbatanas de aço espiralado, um zíper invisível nas costas e babados de renda pregados à mão.

Materiais: 1m de cetim de cortina com 2,8m de largura + 1,5m de tecido de lençol 100% algodão para o forro + aproximadamente 4m de renda sintética + 7 barbatanas de aço espiralado em tamanhos variados.

 

A SAIA

A saia de crinolina é uma arte que eu já dominei, hahahahaha. Mas dessa vez ela precisava de um toque a mais, que veio com o voile fazendo um tom-sobre-tom. Para franzir as laterais, cada painel foi pregueado individualmente e à mão. Para decorar, laços feitos com o cetim da saia e um pequeno detalhe em uma fita grega linda que eu trouxe do Rio Grande do Sul.

Materiais: 2.15m de cetim de cortina com 2.80 de largura + 2m de voile com 3m de largura.

VAMOS ÀS FOTOS!

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