Projeto Desterro Setecentista

Como alguns leitores já devem ter percebido, ultimamente as postagens sobre o século XVIII têm se tornado mais frequentes. Isso se deve ao fato de que o século XIX está ficando repetitivo e pouco desafiador para mim e não há nada pior do que monotonia para um pesquisador.

Dois dos meus tópicos favoritos da História pertencem ao século XVIII e ajudam a moldar o século XIX como uma era de avanço da burguesia e da indústria: a Revolução Francesa e a Revolução Industrial. Por que não aliar dois tópicos tão ricos e vivos à recriação histórica? Isso significa que em 2016 pretendo me dedicar a aprofundar meu conhecimento sobre o século XVIII, especialmente as duas últimas décadas dele. São tantas mudanças políticas, econômicas e sociais que terei trabalho para os próximos anos todos!

Com relação ao século XVIII, tenho por objetivo não só entender de forma mais profunda como a Revolução Industrial e a Revolução Francesa afetaram a vida cotidiana e a mentalidade da Europa, mas como se vivia no Brasil, especialmente em Desterro/Florianópolis, entre os anos 1780-1800.  E isso vai ser um grande desafio, já que as fontes não estão exatamente pululando na internet.

O setecentos representa um período importantíssimo para Desterro. Em 1726, a povoação de Nossa Senhora do Desterro é elevada à categoria de vila. As famosas fortalezas de Anhatomirim, Ratones e Ponta Grossa, são construídas entre 1739 e 1744, integrando um conjunto de fortificações com o objetivo de defender o litoral de Santa Catarina contra os desafetos de Portugal. Porto privilegiado, entre os anos de 1777 e 1778 a ilha de Santa Catarina é ocupada por invasores espanhóis, num dos episódios mais vergonhosos da história militar portuguesa, sobre o qual falarei em outro post.  Também é no século XVIII que se desenvolvem na província de Santa Catarina as armações baleeiras, responsáveis pela caça e beneficiamento dos produtos extraídos da baleia, como óleo (usado na iluminação e na construção civil, por exemplo), espermacete (amplamento usado na fabricação de velas e na indústria cosmética da época), barbatanas (usadas em corsets, vestidos, chapéus). E as armações baleeiras, cuja exploração comercial era benefício do Rei, concedido a particulares, acabou por atrair uma significativa quantidade de escravos de origem africana, que eram uma parte importantíssima do comércio colonial português. Por último, mas não menos importante, é a partir da segunda metade do XVIII que Desterro começa a receber levas de imigrantes vindos do Arquipélago dos Açores, cuja chegada à região é uma espécie de “mito fundador” da história florianopolitana.

"Plano da Villa de N.S. do Desterro da Ilha de Santa Catherina", 1754.
“Plano da Villa de N.S. do Desterro da Ilha de Santa Catherina”, 1754.

ESTRUTURA PRELIMINAR

Meu ponto de partida são os relatos de viajantes estrangeiros que visitaram Florianópolis no século XVIII e XIX, traduzidos e compilados num volume publicado pelas editoras EdUFSC e Lunardelli em 1996. Estes relatos contam com descrições da paisagem, das construções e dos hábitos dos habitantes da Ilha e serão muito valiosos.

O roteiro preliminar da pesquisa, que será ampliado à medida em que eu encontrar mais informações, inclui:

1) fazer um levantamento de fontes sobre Florianópolis no século XVIII, que estejam disponíveis para consulta sem necessidade de uma carta da universidade (¬¬’)

2) entender o papel que Florianópolis/Desterro desempenhava no sistema colonial português;

3) levantar informações sobre a movimentação de mercadorias que chegavam do Rio de Janeiro, que aparentemente era o único porto com o qual Desterro podia comerciar;

4) identificar as características dos diferentes tipos de moradia existentes na atual região do Centro Histórico;

5) identificar os hábitos alimentares de diferentes camadas da população, descobrindo quais alimentos eram consumidos, como eram preparados e os utensílios utilizados no preparo e ao servir;

6) identificar as práticas religiosas presentes na região, tanto as católicas quanto de origem indígena ou africana;

7) caracterizar os trajes utilizados pelas diferentes camadas sociais, buscando levantar informações sobre sua construção e materiais de confecção e relacionando esses trajes ao comércio atlântico;

APRESENTANDO RESULTADOS

A cada etapa ou informação nova que for encontrada, postarei os resultados da pesquisa aqui mesmo, no blog. As bibliografias utilizadas, quando disponíveis em formato digital, também ficarão disponíveis para consulta gratuita na minha biblioteca pessoal no Google Drive^^

 

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